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Edge Cloud Computing, Integração do 5G e Inteligência Artificial das Coisas (AIoT) dão o tom no quarto dia do Digital Week

No quarto e último dia do Futurecom Digital Week, foi a vez de dar espaço para debates latentes sobre Edge Cloud Computing, redes fixas (FWA) na era 5G, além da Integração do 5G e Inteligência Artificial das Coisas (AIoT).

Na webinar “Integração 5G e Inteligência Artificial das Coisas (AIoT): Criando Negócios Inovadores”, os debatedores se preocuparam em expor as possibilidades de novos modelos de negócios com a chegada das novas frequências da telefonia móvel, que permitem inovação e criação de aplicações ainda impossíveis atualmente.

O moderador André Miceli, CEO e editor-chefe do MIT Technology Review, comentou as inúmeras possibilidades em setores como agronegócios, indústria 4.0, saúde e entretenimento com aumento de produtividade, diminuição de custos e muito mais qualidade de vida.

No setor da produção industrial, AIoT se traduz na conectividade inteligente que pode otimizar operações fundamentais como coleta de informações por imagens e sensores para análise e controle de erros operacionais, prevenção de falhas ou detecção de perdas como explicou Hugo Ramos, Chief Regional Technologist Latin America da Commscope.

Do ponto de vista do acesso à tecnologia e seus benefícios, a discussão enfatizou a democratização de aplicações a todas as camadas da população. Para Rodrigo Duclós, Chief Digital Officer da Claro, “a estrutura de acesso em banda larga sem fio será democratizada e os serviços ganham com a escala, o que será benéfico para todos da indústria e a população”. Duclós explica que a baixa latência das novas redes somada à computação de borda vai exigir devices mais simples e baratos. “Teremos oportunidades de oferecer serviços inovadores em várias verticais de mercado como agronegócios, games, saúde, indústria 4.0. O recurso do metaverso será realidade e vai proporcionar experiências que ainda não tivemos.”

Saúde e privacidade

A qualidade de vida e o bem-estar foram o foco de Fabricio Campolina, diretor regional América Latina de Healthcare Transformation na Johnson & Johnson. A coleta de informações dos sinais vitais das pessoas para se transformarem em dados inteligentes no controle da saúde já teve início com alguns gadgets atuais, mas, para ele, esse recurso será somado a consultas e procedimentos realizados via telemedicina, que ganhará uma capacidade imensa com as facilidades do metaverso. “Imaginem a sensação tátil numa consulta à distância”, projeta Campolina.

A verdadeira avalanche de dados gerados e trafegados, além da infinidade de serviços e aplicações disponíveis, necessitarão de redes que operem em nuvem híbrida e com camadas de segurança mais rígidas daqui para frente. Afinal, a população está preocupada com a privacidade de dados. De acordo com Marco Righetti, Cloud Solution Senior Director da Oracle, “os provedores de nuvem devem aprimorar-se nas certificações de segurança”. “Mas há um alinhamento de iniciativa privada e do poder público nesse sentido, há uma ética de dados, não estamos partindo do zero, a exemplo da LGPD.”

Edge Cloud Computing

O Edge Computing promete ser a tecnologia que vai liderar e revolucionar setores variados da economia dos mais diferentes portes, viabilizando produtos e serviços inovadores e criando muitas oportunidades de negócios. Especialistas discutiram essas possibilidades e como ele vai impulsionar novas aplicações aliado ao 5G, que deve chegar nos próximos anos, durante a palestra “Edge Cloud Computing e seu Papel como Habilitadora da Novas Arquiteturas de TI”. O evento online foi mediado pela jornalista Solange Calvo e teve as presenças de Diuliana França, diretora de Serviços Cloud B2B da Embratel; Jorge Stakowiak, diretor de TI e Infraestrutura da DASA; Livio Silva, arquiteto chefe Americas da Vertical Comunicações Red Hat e Roberto Corrêa, especialista em Tecnologia para Redes e Telecomunicações da Intel.

Quando uma nova tecnologia ganha corpo entre as empresas e usuários, pode parecer que ela pode conflitar com as que as pessoas já estão habituadas a usar, mas Diuliana França destaca que isso não deve acontecer neste caso. “São tecnologias que se complementam: o Edge leva o dado para ser processado na borda, mais perto do consumidor e do seu gerador de dados. Hoje qualquer tipo de dado precisa ser transportado para uma estrutura central, seja um Data Center privado ou de um provedor ou ainda uma estrutura de Cloud Centralizada e isso é oneroso e gera custos, inviabilizando uma série de aplicações que, com Edge, a gente espera que sejam alavancadas. Tudo vai depender da estratégia de negócios em cada caso, mas ela vem para complementar”, detalhou a especialista.

Roberto Corrêa reforça que, de fato, os custos de operação devem ser relevantes para o uso do Edge Computing. “A integração do Edge difere dos padrões de rede em telecomunicações e o custo-benefício são relevantes. Traz os mesmos benefícios para o usuário final e clientes corporativos”, comentou. “A combinação do Edge com o 5G, que está com sua estruturação em andamento, conforme um estudo feito pela Intel que traz algumas projeções, deve culminar num ponto de inflexão em 2025, marcado pela movimentação de US$ 3 trilhões no PIB global. Esse impacto econômico será reflexo das soluções e aplicações revolucionárias que chegarão ao mercado como novos serviços e produtos”, explicou ele. Livio Silva concorda e dá um panorama de como essas mudanças já são esperadas por diferentes analistas em todo o mundo. “O impacto na economia mundial é grande e vai crescer rapidamente. A taxa de crescimento anual ligada a essas tecnologias é de 25%. Este ano o Fórum Econômico Mundial fez uma projeção semelhante, em torno de US$ 3,5 trilhões, com expectativa de criação de novos empregos e de um novo mercado nos próximos anos ligados a sistemas de TI e criações de Data Centers em todas as verticais da Indústria 4.0”, acrescentou.

Toda essa arquitetura reflete do outro lado do balcão, segundo pontuou Jorge Stakowiak, diretor de TI e Infraestrutura da DASA, empresa do ramo de Saúde. “Se olharmos as necessidades hoje em dia, verificamos que já acontecem na ponta e com o Edge será possível melhorar esse tipo de relação e solução. Dispositivos como relógios e outros wearables que medem sinais vitais já trazem impactos na sociedade e será possível acelerar ainda mais esses diagnósticos, que ficarão mais precisos”, acredita ele. “A medicina preventiva fica ainda mais acelerada nesse sentido porque hoje os custos inviabilizam isso, mas isso deve mudar com a criação de soluções no ecossistema hospitalar, de diagnóstico e cuidados integrados. A integração dessas tecnologias vai contribuir absurdamente para a Medicina, que vai evoluir como indústria nos próximos 5 a 10 anos de forma acelerada numa disrupção muito grande”, prevê Stakiwiak.

De acordo com os palestrantes, o papel dos provedores nesse ecossistema e redesenho será fundamental. Para Diuliana, após a explosão do cloud computing e do 4G que possibilitaram acesso a inovações de serviços na palma da mão que levaram à criação de empresas como Uber e AirBnb e outras, ou seja, a digitalização dos serviços, o próximo passo é a digitalização da indústria. “Sairemos de soluções em laboratórios e experimentos que têm alto custo para uma escala maior e com custo mais baixo relativamente em segmentos como agroindústria, medicina automatizada, indústria 4.0 e cidades inteligentes. É um mundo de oportunidades e de transformação digital”, conceitua a diretora da Embratel. Os pontos de contato e de logística deverão ser ampliados com base no conhecimento que as empresas já têm com base no mundo Cloud, explica Roberto Corrêa, da Intel. “Quando falamos de infraestrutura de edge integrada na rede, há preocupação com protocolos do ambiente de telecomunicações devido ao volume gigante de dados processados em ambiente virtualizado. Hoje existe vulnerabilidade, mas muita preocupação com segurança. Novas aplicações devem surgir até 2025, ano do ponto de inflexão citado. Métodos estão sendo delineados e a indústria já trabalha firmemente para controles de segurança mais especializados, com muito investimento”, destacou Corrêa.

Toda a tecnologia envolvida nessa evolução brilha aos olhos, mas os profissionais do evento não deixaram de mencionar um ponto preocupante e, ao mesmo tempo importante, para viabilizar tudo o que é esperado no futuro: uma mão-de-obra qualificada, que está em falta no Brasil e é um problema real do mercado de TI. Jorge Stakowiak, da DASA, conta que verifica isso no seu dia a dia e que vem sendo um desafio. “É importante atrair mão-de-obra qualificada de especialistas e ao mesmo tempo investir na formação das ‘categorias de base’ com parcerias, investimentos e expandir o mercado além dos grandes centros, pois há pessoas qualificadas e em busca de oportunidades em todo Brasil até porque a pandemia acelerou o processo e provou que com a tecnologia pode-se trabalhar remotamente”, pontuou ele.

Apenas 55,7% dos domicílios brasileiros possuem acesso à banda larga fixa

O painel “Definindo as futuras gerações de redes fixas (FWA) na era 5G”, moderado por Marco Canongia, sócio-diretor da Lumicom Tecnologia e Inovação, começa com informações do mercado brasileiro, considerando os números de Julho/2021, em que foram registrados 39,4 milhões de banda larga fixos, contra 246,8 milhões de terminais móveis – ou seja, o número de acessos banda larga fixa no Brasil é 6,3 vezes menor que os acessos móveis, enquanto em termos globais o número de acessos banda larga é da ordem de 3 vezes menor que os acessos móveis. A infraestrutura local, as áreas de difícil acesso, a regulamentação e o trade-off entre custo de rede e viabilidade econômica do serviço são parâmetros importantes para alavancar o apetite empresarial por investimentos no FWA – acesso sem fio em banda larga – com o advento do 5G, que permite competir com as fibras ópticas em velocidade e performance.

Para Vicente Aquino, Conselheiro da Anatel, o FWA é uma ferramenta importante para diminuir a desigualdade digital. É uma tecnologia que reacende com a chegada do 5G, “É um mercado que pode se alavancar, crescer e a tendência é de amadurecer essa tecnologia, neste momento em complementação da fibra óptica, naqueles locais exatamente onde não possa haver a chegada da fibra por alguma razão. Eu vejo como uma possibilidade de um amadurecimento com a 5ª geração de tecnologia.”

Outros dados trazidos pelo conselheiro são que segundo o GSMA, atualmente de 1% a 2% dos acessos de rede fixa no mundo são de FWA, e a Calltem Point Consulting, de maneira otimista, diz que em 2030 esse número pode chegar a 36% dos acessos de internet. Sobre as regulamentações da Anatel para o FWA, comenta que a Anatel, apesar de adotar a neutralidade tecnológica, ela deixa o mercado livre para escolher as soluções técnicas mais apropriadas para os modelos de negócios dos provedores de internet.

Igor Chambon, Diretor executivo de operações da Sky diz que “O FWA é importante para levar internet onde ainda o acesso não é fácil ou não disponível, principalmente em regiões mais afastadas.” Dentro dos cases de negócios, o FWA pode ser uma forma de chegar em regiões afastadas, consolidar o mercado, e transferi-lo para a fibra óptica quando disponível. O diretor da Sky também levanta o alto custo de implementação de antenas. Diz que há movimentos do setor para infraestruturas neutras, para que as operações mais eficientes possam se posicionar na ponta para os clientes, dividindo essas infraestruturas entre, por exemplo, três grandes operadoras, e que seria interessante ver essa discussão também para o FWA. Conclui dizendo que o FWA pode ser usado como modelo complementar – de back-up, como modelo de opção para consumidores que ainda tem acesso à internet de uma velocidade de alta capacidade, e modelos mistos, em que a operadora vai ter a opção de fibra em uma localidade e FWA em outras, tendo um conjunto econômico que seja viável atender cada vez mais a população.

Na visão do Anthony Magee, Senior Director Business Development da ADVA, o FWA não compete com a fibra óptica, sendo um modelo complementar. “Olhando além do terminal FWA, uma vez dentro da casa dos consumidores, o FWA pode ser visto como uma extensão do mecanismo de transporte. Ele te coloca dentro do prédio, e uma vez no prédio, é levar o 5G nas bandas mais baixas, em que a performance dentro do prédio pode não ser tão elevada.” Comenta que para a comunicação entre máquinas na indústria, “a mensagem que temos ouvido é de as empresas privadas gostariam de ver algo mais robusto e ‘classe de operadora’ além da sua infraestrutura de Wifi já existente para trazer o 5G”, mas que os maiores business cases são em áreas rurais, em que normalmente é difícil escavar para instalar a fibra.

Helio Oyama, Director product Management da Qualcomm enxerga que mesmo nas regiões onde já existem soluções cabeadas de fibra, existe a oportunidade de uma alternativa de internet back-up, em que o FWA pode ser o serviço de redundância, tanto para usuários corporativos, quanto para residenciais. “O 5G vai aumentar de forma significativa a velocidade de transmissão de dados e podendo oferecer Gb por segundos, equivalente às velocidades que temos hoje em fibra.” A conjugação de frequências baixas e altas traz mais velocidade, justamente por proporcionar mais banda na interface aérea, também a ganhos de áreas de cobertura, em até 30% segundo os testes da Qualcomm. Também alerta que uma vez que backhaul do 5G já tenha múltiplos Gb por segundo, haverá a necessidade de que o gargalo não seja no Wifi, demandado no mínimo o Wifi 6, e em alguns casos de ondas milimétricas, o Wifi 6 versão estendida.

Tags: 5G, AIoT, CloudComputing, Edge, Futurecom

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